Theodoro Arturo*
Muitos entusiastas do mercado de fidelidade ainda enxergam
as milhas aéreas como um simples subproduto do consumo, um "brinde"
que expira no esquecimento ou é trocado por produtos de baixo valor agregado.
No entanto, para quem compreende a dinâmica do mercado de capitais e a inflação
dos programas de fidelidade, as milhas deixaram de ser pontos de estimação para
se tornarem ativos financeiros com alta liquidez e complexidade. O volume desse
mercado é tão expressivo que, segundo dados da ABEMF (Associação Brasileira das
Empresas do Mercado de Fidelização), o setor faturou cerca de R$ 21,9 bilhões
em 2024, um recorde que reflete o amadurecimento do setor. No mesmo período, o
volume de milhas emitidas alcançou 920,6 bilhões — um aumento de 16,5% em
relação ao ano anterior — enquanto o número de cadastros chegou a 332,2 milhões
de pessoas.
É nesse cenário que a gestão profissional deixa de ser um
luxo e passa a ser uma necessidade estratégica para quem busca eficiência e
proteção do seu patrimônio digital. O grande desafio da atualidade não é mais
apenas como acumular, mas sim como evitar o desperdício sistêmico de valor.
Embora a taxa de expiração tenha caído para níveis históricos recentemente,
atingindo cerca de 11,6% no terceiro trimestre de 2025, o volume absoluto de
perdas ainda é alarmante. Estimativas baseadas em dados do Banco Central
indicam que os brasileiros deixam de utilizar cerca de 40 bilhões de pontos e
milhas anualmente, um prejuízo bilionário que atinge diretamente o bolso do
consumidor e das empresas. Tentar gerenciar esse ecossistema volátil de forma
amadora, onde as regras das companhias mudam sem aviso e as janelas de
oportunidade são curtas, é como operar na bolsa de valores baseando-se apenas
em intuição: o risco de desvalorização é iminente.
Ao delegar essa gestão para uma consultoria especializada, o
cliente passa a contar com uma inteligência de dados que monitora as alianças
aéreas e as melhores tabelas de emissão global. Não se trata apenas de viajar
"de graça", mas de otimizar o custo de oportunidade e estancar o
dreno financeiro causado pela expiração de pontos. Para um executivo, o tempo
gasto tentando decifrar regulamentos complexos poderia ser aplicado em seu ‘core
business’, enquanto um especialista garante que milhas não expirem e que as
passagens em classe executiva custem uma fração do valor de balcão. Em última
análise, a especialização na gestão de milhas é sobre sofisticação e controle.
É fundamental que as milhas sejam tratadas como os ativos financeiros que
representam, com o rigor de uma carteira de investimentos. É essa visão que
diferencia o viajante comum do estrategista que sabe que, no mundo moderno, o
conhecimento técnico vale muito mais do que o saldo na conta.
*Theodoro Arturo é fundador da Theoria das Milhas,
consultoria especializada em gestão estratégica de programas de fidelidade. Com
foco em transformar milhas em ativos financeiros para executivos e empresas,
atua no mercado de inteligência de dados aplicado ao setor de viagens e
fidelização. theoriadasmilhas@gmail.com


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